sexta-feira, 3 de julho de 2009

Medo do quê ?


Sairá fazia um tempo, não queria chegar a casa, pra quê? Para ouvir discussões e gritos? Era preferível rodar pela cidade sem rumo, observar os desconhecidos, fazer amizade com o cobrador do transporte coletivo. Mas ficariam preocupados, pensariam no pior. Então desistiu.

Seguiu no caminho conhecido, as mesmas ruas, as mesmas casas, as mesmas senhoras a fofocar que, quando passava perto, abaixavam o tom de voz e te analisavam de cima a baixo. Com a mochila nas costas, cheia de cadernos e anotações, com desamores e ilusões. Pensava em mudar de rumo, não podia, pensou que podia mudar o mundo, outra vez não podia. Sonhava com a paz, mas não saia da guerra.

O solado a fazer: plek, plek. A alma em silencio, sem som algum. Refletiu no amor filosófico, é como um mar de rosas, mas rosas também têm espinhos.

Pensou no que encontraria em casa: “- Menina faça alguma coisa, deixe de escrever, saia da frente deste maldito computador, isso não te levara a nada.” E ela com uma cara de indiferença, diria: “- Tudo bem estou terminando o parágrafo.” Mas a alma por dentro era capaz de ficar dias e mais dias a escrever, se alimentando das letras, descansando nas palavras e ,juntas com o doce prazer da pontuação, viveria nas mais lindas frases, aprendendo com os grandes.

Continuou a andar, em passos cada vez mais lentos, porem constantes. Não queria chegar ao destino final, queria isolar-se, no seu mundo, com sua gente. Mas não podia, tinha que enfrentar a realidade, ou agora ou então mais tarde.

Pensou em parar. Parou. Entrou na casa de uma conhecida para falar das novidades, mas logo voltou para ao rumo, incerta do que encontraria na próxima esquina. Só encontrou um carro em alta velocidade, esperou e atravessou.

Pegou a chave, escolheu a dedo a maior de todas, coloco-a na fechadura e a rodou, como quem roda a roleta da morte. Caminho silenciosamente até a porta abriu-a, ela rangeu. Limpou os pés no tapete de entrada, depositou a mochila na cadeira mais próxima encostada a parede. Olhou ao redor. Nada. Viu, na mesa, um papel amarelinho, desses onde se anotam recados, em que às vezes escrevia rimas quando a inspiração chegava. Leu: “Volto mais tarde, estou na vizinha.” Não tinha ninguém em casa.

(Estória Fictícia)

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